Os cinco mais vendidos

23559644_10203739229279058_1373679777349012524_n

Os cinco livros mais vendidos na Buenas Bookstore, a única livraria que funciona na madrugada paulistana (Frei Caneca, 384 – SP)

5) Patti Smith – Linha M
4) Raymond Carver – Esta vida (poemas escolhidos)
3) Lucrecia Zappi – Acre
2) Jotabê Medeiros – Belchior, apenas um rapaz latino-americano
1) James Rhodes – Instrumental.

Anúncios

Melhores capas

jimi_jpg_8183_north_626x_white

The Jimi Hendrix Experience – Electric ladyland (1968)

Este foi um dos discos que me aproximaram de Fabrício, meu amigo, irmão e padrinho do meu filho (Lico). Deixando o valor sentimental de lado, trata-se de uma grande capa de um grande disco. Outros tempos. Anos depois, quando relançado em Cd na versão remasterizada — na segunda metade dos anos 90 — a família de Hendrix vetou a capa original substituindo por uma do preto de perfil. Electric ladyland, a obra-prima do cara que revolucionou o som da guitarra. Incendiou palcos em todos os cantos do planeta. Filas com as mais belas mulheres foram formadas na entrada do camarim pós-show. Casos múltiplos de amor brotaram em sua curta existência — Nico e Marianne Faithfull foram alguns desses amores. Jimi e sua banda, a atração mais aguardada do festival Woodstock — até então, o maior festival de rock do planeta. Jimi e sua turma nos presenteando com sua grande obra. Incendiando tudo. Tocando o terror. Enfim, coisa de preto

Tarcísio Buenas

Elisa se entusiasmou demais (capítulo 3)

30562_2940823497485_1063052742_n

Acordei com o celular tocando. Era de uma operadora. A atendente tentando me vender algo que não me interessa. Fico com raiva quando interrompem meu sagrado sono. E logo de manhã. Sempre meu humor piora nessas horas. Vou até a janela. Tem uns meninos jogando bola na rua. Meus vizinhos do lado estão preparando uma festa. Acho que é um churrasco. O que piora as coisas: churrasco rima com cerveja e caipirinha e costuma acabar em samba. Meu dia começando assim… Elisa rola na cama. Parece me procurar com seus braços abertos. Em vão. Ela percebe que estou na janela e me chama pra voltar pra cama. Eu atendo o seu pedido. Neste exato momento um carro de som para em frente à porta do meu vizinho do churrasco. Dos alto-falantes ecoa um estrondoso “Parabéns pra você!”. A raiva só aumenta. Vou em direção à porta. Elisa me puxa pelo braço. Ela me convence a ficar. Me beija. Me abraça. Faz tudo exatamente o que ela não fez na noite passada. Minha manhã se transforma. E tudo fica aprazível.

Tarcísio Buenas

Do meu conto, inédito, Elisa se entusiasmou demais.
Lançamento: não sei.

Eu sou do tempo…

22154470_10214527724895206_5499578039441648504_n

Eu sou do tempo que quando ligava a TV pra tomar o café da manhã tava passando Bozo (o palhaço estranhamente muito louco) em um canal, e no outro, o programa da Xuxa. Acho que era Xou da Xuxa. E tudo era bem-vindo — embora eu achasse Bozo estranhamente muito louco. Dava medo, às vezes. Mas ele tava lá e não fazia mal a ninguém. Hoje, nada do que tem acontecido no que diz respeito a censura no campo das artes me choca. A gente (do Cemitério de Automóveis) vêm cantando a pedra há algum tempo, mas pouca gente presta atenção. Por que vocês prestariam? Não somos os donos da verdade. São apenas opiniões contrárias aos da maioria. Nada do que tá rolando choca a turma aqui. Ninguém fica indignado. Há algum tempo venho dizendo que “de agora em diante é só descida; só ladeira abaixo”. Mas você também não precisa prestar atenção no que estou dizendo. Não mesmo. Cada um, cada um. E tudo certo. Só quero encerrar dizendo que eu sou do tempo dos verdadeiros “baques”. Dos verdadeiros choques. O que tem rolado é fichinha. Por isso a alienação. A preguiça de opinar. Dá trabalho opinar. A se defender dos comentários (um pé no saco!) aqui no facebook. Mas é isso. E a vida segue.

T. B.