Elisa se entusiasmou demais (Capítulo nove)

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(Art: Marcos Rodrigues)

Eu estava guardando uns livros na estante quando ela se aproximou: “Você pode me indicar uma escritora brasileira, nova, que seja foda?”. “Não existe. Que eu saiba, não existe essa escritora”. Ela insistiu: “Será?”. “Que eu saiba…” (me cortando), “Tem tanta menina escrevendo e publicando e você não conhece nenhuma?”. “Olha, existem muitas meninas mandando bem na atualidade; mas é que você perguntou por uma foda”.

O condicionador de ar não estava funcionando bem, o clima estava abafado e as goteiras no balde ao lado da estante incomodavam o estudante na mesa da frente.

Ela parecia irritada com minhas respostas e com o clima da sala de leituras. Roeu as unhas, mexeu nos cabelos, e continuou: “E escritores?”. “O que é que tem os escritores?”. “Tem algum foda no momento entre os novos?”. “Também não conheço”. “Nossa, cara, você também não conhece nada!”. “Foda, no momento, não. Nenhum”. “Como você é cético e mal-humorado…”. Perdi a paciência: “Agora você vai parar de encher o meu saco e dar o fora, ou não?”. “Aff, que grosso…”. E saiu. Nunca tinha visto essa menina na biblioteca. Fui tomar um café quando vi, de longe, ela reclamando com a minha supervisora. Obviamente, sobre o meu atendimento.”

Do livro “Elisa se entusiasmou demais”. Lançamento: 2017.

Tarcísio Buenas.

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