Minha vida numa quadra

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eu costumo ficar de olho no relógio quando anoitece. e não é de preocupação. é de ansiedade. fico louco pra que chegue logo quinze para as sete (meu horário de vir pra livraria, a Buenas Bookstore). quando chega a hora aguardada, eu conecto meu headphone no celular, seleciono minha playlist (as mais queridas) no Deezer, e coloco no ouvido. no caminho, é parada certa no sebo do Pica-Pau, um brother que vende livros na calçada perto de minha casa e não tem noção alguma do que está vendendo. às vezes sinto pena do Pica-Pau. de saber que ele não conhece o que está vendendo. mas não é isso que eu quero dizer. eu quero dizer que é um prazer vir pra cá. pra trabalhar num lance que eu adoro. que eu faço com o maior prazer. e que bate um aperto no peito na hora de ir embora. não que eu não goste de ficar em casa. pelo contrário: eu adoro ficar em casa e raramente saio durante o dia. mas é que dói, na maioria das vezes, ter que sair daqui. de deixar pra trás. de ter que ficar umas horas longe de tudo isso.

neste segundo semestre vai rolar um documentário sobre a livraria e meus dias em SP. espero que role mesmo. acredito mesmo que role. confio nos cineastas e na produtora do filme. eu ainda confio nas pessoas. e no meu taco.

Tarcísio Buenas

A visita do Mac

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Eu tenho anunciado que a Buenas Bookstore é a única que funciona na madrugada paulistana. Até agora ninguém contestou. Tenho feito jus a esta máxima. Tenho curtido. Acontece que hoje não deu. Hoje eu precisei sair mais cedo pra adiantar uns projetos que estão bastante atrasados. O dia, ou melhor, a tarde (já que de manhã eu durmo) parece ter encurtado. O tempo parece ter encurtado. Até comentei dia desses na livraria que antigamente em lia mais do que hoje. Eu tinha mais tempo pra assistir os filmes que eu queria. Os discos que eu queria ouvir. Pra namorar, até, eu tinha mais tempo. Não tenho dado conta de muita coisa. E agora tem esses projetos que estão bastante atrasados; e só não fechei mais cedo porque o meu amigo Mac DS pintou por lá. Ele foi conhecer a livraria. Bater um papo. Matar a saudade do amigo. Conheci o Mac em 2012 quando comecei a trabalhar na Vivo (meu primeiro trampo em SP). Ele sempre me convidava pro churrasco na casa dele. A gente passava as tardes de sábado bebendo, comendo churrasco e ouvindo música (rock, claro) com outros amigos. O tempo passou, eu montei a Buenas Bookstore (são quatro anos de livraria) e ele partiu pra outros negócios. E aqui estou postando nossa foto e me desculpando, sem querer, por ter fechado a livraria mais cedo.

Tarcísio Buenas.