Lambchop, o mais belo cartão-postal de Nashville dos últimos anos

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O Lambchop, uma das bandas mais legais surgida nas últimas décadas, vem de Nashville, meca da country music mundial. Seus integrantes – que variam entre doze e dezessete (!) músicos – formam o mais belo cartão-postal de lá.
Bebendo na fonte do que há de melhor no funk, country e soul refinado, estes caras fazem um som brilhante, delicado (de um lirismo de arrepiar).
A começar pelo canto do band leader Kurt Wagner – uma espécie de gênio esquecido da história. Esta verdadeira orquestra foi formada nos anos noventa, e foi exatamente no começo da década seguinte que eles lançaram o elogiadíssimo Nixon.
Segundo a crítica mundial, o Lambchop é o principal divulgador do alt-country – uma espécie de country alternativo.
Wagner não suporta este termo: “Uma bobagem”, disse uma vez numa entrevista.
Estou ouvindo Nixon pela segunda vez agora. Pô, que disco lindo. Comprei o meu na época em que trabalhava na São Rock Discos. Foi no natal de 2003 (ano em que o nosso brother Jan Balanco foi nosso colaborador).
Ouvíamos Nixon direto. Mas como ignorar um disco repleto de belas canções como este?
Melhor ainda quando, no happy hour, abríamos nossas cervas e ficávamos por ali admirando as meninas que passavam pela calçada.
Nixon é um disco pouco comentado. O falsete de Wagner é marcante e o instrumental de um lirismo raro na história.
The book i haven’t read composta em parceria com o mestre Curtis Mayfield, é uma das minhas favoritas. The old gold shoe, faixa que abre Nixon, entrega, de cara, o que você vai ouvir nos próximos instantes.

Tarcísio Buenas.
(Texto escrito pro On The Rocks, meu antigo blog, em 2010).

Abbey Road

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The Beatles – Abbey Road (1969).

Tão visitado quanto Graceland e o túmulo de Jim Morrison em Paris, Abbey Road é um dos pontos turísticos mais desejados pelos beatlemaníacos e rockers em geral. Abbey Road faz parte do Guia Turístico de Londres. Já era mesmo antes da gravação do álbum homônimo em 1969. É que os caras pisaram no estúdio da EMI (uma mansão que foi comprada para ser um complexo de gravações em 1929), pela primeira vez em 1962, sendo testados pelo produtor George Martin, chefe do selo Parlophone, pertencente à EMI. Mas é que a fama da rua veio mesmo depois desta capa antológica. São mais de 120 mil turistas por ano. Trocentos cliques diariamente. Dizem que nos finais de semana é um inferno. Inclusive de madrugada.

T.B.

Charlotte sometimes

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Das coisas que eu mais curto, me divirto, aqui na livraria, é quando as pessoas vêm me cumprimentar, e eu, sem jeito, cumprimento tentando ser gentil. Educado. Mas é que eu não lembro da maioria dessas pessoas. Dos papos. Do que essas pessoas compraram em minha mão. Às vezes eu fico com vergonha. Mas me divirto assim mesmo. E bebo. E ouço música no headphone do meu celular. Agora mesmo toca Charlotte sometimes, minha canção preferida do The Cure, banda improvável de tocar aqui no Cemitério de Automóveis; mas isso pouco importa. Cada um, cada um. E na arte não existe certo, nem errado. E a madruga segue…

T.B.

London Calling

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The Clash – London Calling (1979).

A clássica foto da obra-prima, London Calling, foi clicada no Palladium Theather, Nova York, no exato momento em que Paul Simonon, irritado com o retorno ruim do som do seu baixo, bateu com força no palco espatifando o instrumento. A fotógrafa, Pennie Smith, devidamente posicionada atrás das caixas de som, percebendo a irritação de Simonon, disparou vários cliques. Este, analisado depois por Joe Strummer, veio ser a capa do álbum que o Clash estava prestes a lançar.

Tarcísio Buenas.

J Mascis

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Sou fã do modo peculiar como J. Mascis toca guitarra. Estilo: começa agora sabe Deus quando vai acabar. À frente do Dinosaur Jr., um dos pilares do rock alternativo norte-americano, Mascis chama atenção pelo modo como toca sua guitarra e canta. A impressão que tenho é a de que ele acabou de acordar e entrou em estúdio para gravar suas músicas.

O Dino, como é chamado por seus fãs, foi formado em meados dos anos oitenta por Mascis e Murph (baterista) após terminarem o colegial em Boston. Para o baixo, convidaram Lou Barlow e foram logo chamando atenção dos universitários, rádios alternativas e a turma do Sonic Youth.

Thurston Moore, guitarrista do Sonic Youth, chegou a montar uma banda à época com Mascis, chamado Velvet Monkeys.

O som do Dino trafega entre o punk folk e o country arrebenta quarteirões, como os próprios integrantes definem.
Três álbuns lançados depois, de forma independente, e com a saída de Lou – que formara o Sebadoh em seguida -, Mascis e seus comparsas lançaram o elogiadíssimo Green Mind (1991) por uma major. O que veio somar com o sucesso que foi a gravação da cover “Just like heaven” do The Cure e a participação no tributo a Neil Young, The Bridge.

(…)

Green Mind, tem uma bela capa – uma das prediletas do On The Rocks – é mais acessível do que os anteriores, mas não menos emocionante. Seu estilo de tocar guitarra continua o mesmo.

Barulho, distorções e melodia a serviço dos sons que vieram pra ficar na história, emocionar e seduzir ouvidos mais atentos e aptos a embarcar no marasmo destes caras.

Tarcísio Buenas.

Do livro “18 de maio, quanto tens por dizer…” (Buenas Books). ESGOTADO.

Songs of Leonard Cohen

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Songs of… (1967).

A foto é do próprio Cohen, então com trinta e três anos. A selfie é de sua própria câmera. Como você pode notar, um rosto tenso e tímido. Assim eu vejo. O que me faz lembrar das fotos em que minha mãe programava pra família sair junta e ninguém ficar de fora. E eu ria pra caramba. As únicas que me lembro sorrindo foram dessa época através da câmera dela. Minha mãe programava e ia todo mundo correndo pro clique. Fora isso, não vejo graça alguma “sorrir pra foto”. Mas diante “daquele” clique, era diferente.

Tarcísio Buenas.

P.S.: Não é uma bela capa; uma grande capa, eu sei. Mas a historinha é curiosa (a dele); e acho que a minha também. E eu gosto da expressão dele na foto. Não fosse Cohen, um gênio, talvez eu nem ligasse…