Songs of Leonard Cohen

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Songs of… (1967).

A foto é do próprio Cohen, então com trinta e três anos. A selfie é de sua própria câmera. Como você pode notar, um rosto tenso e tímido. Assim eu vejo. O que me faz lembrar das fotos em que minha mãe programava pra família sair junta e ninguém ficar de fora. E eu ria pra caramba. As únicas que me lembro sorrindo foram dessa época através da câmera dela. Minha mãe programava e ia todo mundo correndo pro clique. Fora isso, não vejo graça alguma “sorrir pra foto”. Mas diante “daquele” clique, era diferente.

Tarcísio Buenas.

P.S.: Não é uma bela capa; uma grande capa, eu sei. Mas a historinha é curiosa (a dele); e acho que a minha também. E eu gosto da expressão dele na foto. Não fosse Cohen, um gênio, talvez eu nem ligasse…

Assassinos do pântano

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A ilustração da capa é do Raymond Pettibon a partir de uma foto que flagra o casal Maureen Hindley e David Smith a caminho do tribunal para testemunhar sobre o caso do casal Ian Brady e Myra Hindley que aterrorizaram a Inglaterra no começo dos anos sessenta por assassinar crianças e adolescentes de forma cruel e em seguida enterrarem os corpos na região pantanosa de Saddlesworth (arredores de Manchester). David Smith, cunhado de Myra, assistiu a um video gravado pelo casal de assassinos (eles costumavam gravar seus crimes) esquartejando um adolescente de dezesseis anos. A foto que virou ilustração do Raymond foi clicada no exato momento em que o casal vai ao tribunal testemunhar sobre o caso que ficou registrado na história como os crimes dos “assassinos do pântano”.

Tarcísio Buenas.

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(Os assassinos do pântano)

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(Foto original)

Cubist Blues

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O que acontece quando três malucos ser reúnem pra gravar um disco: Cubist Blues. Os malucos são: Alan Vega (Suicide), Alex Chilton (The Box Tops, Big Star) e Ben Vaughan.

Procurem no Youtube as músicas “Lover of love”, “Candy man” e “Freedom”. Tem o disco na íntegra também. Vale a audição.

Tarcísio Buenas.

E POR ISSO NÃO DURMO DIREITO

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(Texto escrito e postado ontem no facebook)

E por isso não durmo direito é o título do primeiro livro do nosso amigo Linguinha. O lançamento será hoje à noite, 19H, no Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384). Eu estava folheando o livro com a TV ligada quando soube da tragédia do avião que matou o time do Chapecoense, além de jornalistas, funcionários da empresa aérea, etc. Eu estava relendo naquele exato momento o texto que eu escrevi pra contracapa. O prefácio é de outro amigo, o Mário Bortolotto, e a contracapa é minha. Então eu fiquei analisando o final do meu texto e pensando no lançamento de hoje à noite. Pensando na tragédia e da vida descompromissada que a gente leva (Linguinha e eu). O texto termina da seguinte forma: “De sentar pra beber com amigos ou com uma gata, Linguinha, com seu carisma, trata muito bem esta fragilidade que chamam de vida”. É frágil a vida. E quando recebo uma porrada como esta, fica mais evidente e sem arrependimento algum a vida que levo; que já foi criticada por muitos ao longo dos anos. Mas é que eu não tô nem aí. Ontem o nosso amigo Cristiano Burlan filmou lá no teatro o curta “Crônica da garota ruiva” com roteiro meu e participação dos amigos Carca Rah e Débora Estter, além do Linguinha, que fez o balconista do bar. Quando eu escrevi esta crônica em fevereiro do ano passado, jamais imaginei que fosse virar um filme. Um curta. Tanto é que tem uma passagem em que eu escrevi assim: “Isto não é cena de um filme”. Ironia do destino, vai tá logo logo nas telas dos cinemas. Acredito que a gente faça a estreia no Cemitério. Acredito. As filmagens foram feitas em pouco mais de três horas. Foi bem legal beber umas cervas vendo a turma gravando um roteiro meu. Roteiro de uma crônica que jamais imaginei fosse virar um filme. Os atores se divertiram fazendo. O Linguinha ficou massa fazendo o balconista mal-humorado. Em seguida o Burlan filmou O projecionista, o mais novo longa dele, com a gente. Eu curti fazer. Curti a sensação, depois de muito tempo, de trabalhar como ator (que abandonei há mais de quinze anos). A verdade é que eu não interpretei. Foi um bate-papo: um cara conversando com um livreiro. Bem legal. Aí quando eu terminei de folhear o livro do Linguinha, bateu uma sensação estranha com a notícia da tragédia interrompendo sonhos de um povo. De uma cidade. De um time de futebol. Fiquei mal. E ainda estou. E só sentei pra escrever pra falar do lançamento do Linguinha e do prazer de fazer cinema com os amigos. Com a turma competente do Burlan. Turma das boas. Quero encerrar dizendo que adorei ter trabalhado com vocês. Obrigado. E sigamos.

Tarcísio Buenas.

P.S.: A foto da capa do disco do Keith ao fundo não foi por acaso.