O perseguidor

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“(…)
Que a música salve pelo menos o resto da noite, e cumpra a fundo uma das suas piores missões, a de nos colocar um belo biombo diante do espelho, apagar-nos do mapa durante um par de horas.”

Julio Cortázar no conto O perseguidor.

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Crônica da livraria

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Abri a livraria um pouco atrasado. Acontece. O bar já estava aberto quando eu cheguei. Na mesa que fica embaixo da escada, uma mulher sentada. Logo em seguida chegou um cara. Se cumprimentaram. Neste momento eu já estava sentado no meu canto. Saquei logo que é o primeiro encontro. É fácil sacar. Só não sei por qual meio virtual eles se conheceram. Mas isso não importa. Curioso é que só agora (22H), depois de tanto blá blá blá, é que, timidamente, ele colocou a mão direita dele em cima da perna esquerda dela. Impossível não lembrar da minha adolescência. Eu ficava tenso nos primeiros instantes esperando a hora H pra pegar na mão dela. A depender da reação, nas pernas. Nas coxas. As da Ana Cláudia eram perfeitas. Mas não é isso que eu quero falar. Eu quero falar é que esse rapaz é bem devagar. Igual como eu era na adolescência. Na adolescência.

Tarcísio Buenas

 

Minha vida numa quadra

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eu costumo ficar de olho no relógio quando anoitece. e não é de preocupação. é de ansiedade. fico louco pra que chegue logo quinze para as sete (meu horário de vir pra livraria, a Buenas Bookstore). quando chega a hora aguardada, eu conecto meu headphone no celular, seleciono minha playlist (as mais queridas) no Deezer, e coloco no ouvido. no caminho, é parada certa no sebo do Pica-Pau, um brother que vende livros na calçada perto de minha casa e não tem noção alguma do que está vendendo. às vezes sinto pena do Pica-Pau. de saber que ele não conhece o que está vendendo. mas não é isso que eu quero dizer. eu quero dizer que é um prazer vir pra cá. pra trabalhar num lance que eu adoro. que eu faço com o maior prazer. e que bate um aperto no peito na hora de ir embora. não que eu não goste de ficar em casa. pelo contrário: eu adoro ficar em casa e raramente saio durante o dia. mas é que dói, na maioria das vezes, ter que sair daqui. de deixar pra trás. de ter que ficar umas horas longe de tudo isso.

neste segundo semestre vai rolar um documentário sobre a livraria e meus dias em SP. espero que role mesmo. acredito mesmo que role. confio nos cineastas e na produtora do filme. eu ainda confio nas pessoas. e no meu taco.

Tarcísio Buenas

A visita do Mac

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Eu tenho anunciado que a Buenas Bookstore é a única que funciona na madrugada paulistana. Até agora ninguém contestou. Tenho feito jus a esta máxima. Tenho curtido. Acontece que hoje não deu. Hoje eu precisei sair mais cedo pra adiantar uns projetos que estão bastante atrasados. O dia, ou melhor, a tarde (já que de manhã eu durmo) parece ter encurtado. O tempo parece ter encurtado. Até comentei dia desses na livraria que antigamente em lia mais do que hoje. Eu tinha mais tempo pra assistir os filmes que eu queria. Os discos que eu queria ouvir. Pra namorar, até, eu tinha mais tempo. Não tenho dado conta de muita coisa. E agora tem esses projetos que estão bastante atrasados; e só não fechei mais cedo porque o meu amigo Mac DS pintou por lá. Ele foi conhecer a livraria. Bater um papo. Matar a saudade do amigo. Conheci o Mac em 2012 quando comecei a trabalhar na Vivo (meu primeiro trampo em SP). Ele sempre me convidava pro churrasco na casa dele. A gente passava as tardes de sábado bebendo, comendo churrasco e ouvindo música (rock, claro) com outros amigos. O tempo passou, eu montei a Buenas Bookstore (são quatro anos de livraria) e ele partiu pra outros negócios. E aqui estou postando nossa foto e me desculpando, sem querer, por ter fechado a livraria mais cedo.

Tarcísio Buenas.

Lambchop, o mais belo cartão-postal de Nashville dos últimos anos

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O Lambchop, uma das bandas mais legais surgida nas últimas décadas, vem de Nashville, meca da country music mundial. Seus integrantes – que variam entre doze e dezessete (!) músicos – formam o mais belo cartão-postal de lá.
Bebendo na fonte do que há de melhor no funk, country e soul refinado, estes caras fazem um som brilhante, delicado (de um lirismo de arrepiar).
A começar pelo canto do band leader Kurt Wagner – uma espécie de gênio esquecido da história. Esta verdadeira orquestra foi formada nos anos noventa, e foi exatamente no começo da década seguinte que eles lançaram o elogiadíssimo Nixon.
Segundo a crítica mundial, o Lambchop é o principal divulgador do alt-country – uma espécie de country alternativo.
Wagner não suporta este termo: “Uma bobagem”, disse uma vez numa entrevista.
Estou ouvindo Nixon pela segunda vez agora. Pô, que disco lindo. Comprei o meu na época em que trabalhava na São Rock Discos. Foi no natal de 2003 (ano em que o nosso brother Jan Balanco foi nosso colaborador).
Ouvíamos Nixon direto. Mas como ignorar um disco repleto de belas canções como este?
Melhor ainda quando, no happy hour, abríamos nossas cervas e ficávamos por ali admirando as meninas que passavam pela calçada.
Nixon é um disco pouco comentado. O falsete de Wagner é marcante e o instrumental de um lirismo raro na história.
The book i haven’t read composta em parceria com o mestre Curtis Mayfield, é uma das minhas favoritas. The old gold shoe, faixa que abre Nixon, entrega, de cara, o que você vai ouvir nos próximos instantes.

Tarcísio Buenas.
(Texto escrito pro On The Rocks, meu antigo blog, em 2010).

Abbey Road

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The Beatles – Abbey Road (1969).

Tão visitado quanto Graceland e o túmulo de Jim Morrison em Paris, Abbey Road é um dos pontos turísticos mais desejados pelos beatlemaníacos e rockers em geral. Abbey Road faz parte do Guia Turístico de Londres. Já era mesmo antes da gravação do álbum homônimo em 1969. É que os caras pisaram no estúdio da EMI (uma mansão que foi comprada para ser um complexo de gravações em 1929), pela primeira vez em 1962, sendo testados pelo produtor George Martin, chefe do selo Parlophone, pertencente à EMI. Mas é que a fama da rua veio mesmo depois desta capa antológica. São mais de 120 mil turistas por ano. Trocentos cliques diariamente. Dizem que nos finais de semana é um inferno. Inclusive de madrugada.

T.B.