Assassinos do pântano

tumblr_inline_n7pdrkd8py1qzxp4j

A ilustração da capa é do Raymond Pettibon a partir de uma foto que flagra o casal Maureen Hindley e David Smith a caminho do tribunal para testemunhar sobre o caso do casal Ian Brady e Myra Hindley que aterrorizaram a Inglaterra no começo dos anos sessenta por assassinar crianças e adolescentes de forma cruel e em seguida enterrarem os corpos na região pantanosa de Saddlesworth (arredores de Manchester). David Smith, cunhado de Myra, assistiu a um video gravado pelo casal de assassinos (eles costumavam gravar seus crimes) esquartejando um adolescente de dezesseis anos. A foto que virou ilustração do Raymond foi clicada no exato momento em que o casal vai ao tribunal testemunhar sobre o caso que ficou registrado na história como os crimes dos “assassinos do pântano”.

Tarcísio Buenas.

tumblr_inline_n7ped2s9nu1qzxp4j

(Os assassinos do pântano)

tumblr_inline_nelj48vjnu1qzxp4j

(Foto original)

Cubist Blues

large_550_tmp_2f1435258772634-f2og73kkz5i885mi-e55eb6bf2d5f429a3a4b5a9cb2860aa5_2flita126_mp3

O que acontece quando três malucos ser reúnem pra gravar um disco: Cubist Blues. Os malucos são: Alan Vega (Suicide), Alex Chilton (The Box Tops, Big Star) e Ben Vaughan.

Procurem no Youtube as músicas “Lover of love”, “Candy man” e “Freedom”. Tem o disco na íntegra também. Vale a audição.

Tarcísio Buenas.

E POR ISSO NÃO DURMO DIREITO

unnamed

(Texto escrito e postado ontem no facebook)

E por isso não durmo direito é o título do primeiro livro do nosso amigo Linguinha. O lançamento será hoje à noite, 19H, no Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384). Eu estava folheando o livro com a TV ligada quando soube da tragédia do avião que matou o time do Chapecoense, além de jornalistas, funcionários da empresa aérea, etc. Eu estava relendo naquele exato momento o texto que eu escrevi pra contracapa. O prefácio é de outro amigo, o Mário Bortolotto, e a contracapa é minha. Então eu fiquei analisando o final do meu texto e pensando no lançamento de hoje à noite. Pensando na tragédia e da vida descompromissada que a gente leva (Linguinha e eu). O texto termina da seguinte forma: “De sentar pra beber com amigos ou com uma gata, Linguinha, com seu carisma, trata muito bem esta fragilidade que chamam de vida”. É frágil a vida. E quando recebo uma porrada como esta, fica mais evidente e sem arrependimento algum a vida que levo; que já foi criticada por muitos ao longo dos anos. Mas é que eu não tô nem aí. Ontem o nosso amigo Cristiano Burlan filmou lá no teatro o curta “Crônica da garota ruiva” com roteiro meu e participação dos amigos Carca Rah e Débora Estter, além do Linguinha, que fez o balconista do bar. Quando eu escrevi esta crônica em fevereiro do ano passado, jamais imaginei que fosse virar um filme. Um curta. Tanto é que tem uma passagem em que eu escrevi assim: “Isto não é cena de um filme”. Ironia do destino, vai tá logo logo nas telas dos cinemas. Acredito que a gente faça a estreia no Cemitério. Acredito. As filmagens foram feitas em pouco mais de três horas. Foi bem legal beber umas cervas vendo a turma gravando um roteiro meu. Roteiro de uma crônica que jamais imaginei fosse virar um filme. Os atores se divertiram fazendo. O Linguinha ficou massa fazendo o balconista mal-humorado. Em seguida o Burlan filmou O projecionista, o mais novo longa dele, com a gente. Eu curti fazer. Curti a sensação, depois de muito tempo, de trabalhar como ator (que abandonei há mais de quinze anos). A verdade é que eu não interpretei. Foi um bate-papo: um cara conversando com um livreiro. Bem legal. Aí quando eu terminei de folhear o livro do Linguinha, bateu uma sensação estranha com a notícia da tragédia interrompendo sonhos de um povo. De uma cidade. De um time de futebol. Fiquei mal. E ainda estou. E só sentei pra escrever pra falar do lançamento do Linguinha e do prazer de fazer cinema com os amigos. Com a turma competente do Burlan. Turma das boas. Quero encerrar dizendo que adorei ter trabalhado com vocês. Obrigado. E sigamos.

Tarcísio Buenas.

P.S.: A foto da capa do disco do Keith ao fundo não foi por acaso.

Elisa se entusiasmou demais (Capítulo nove)

405294_1743886414629_1321352903_n

(Art: Marcos Rodrigues)

Eu estava guardando uns livros na estante quando ela se aproximou: “Você pode me indicar uma escritora brasileira, nova, que seja foda?”. “Não existe. Que eu saiba, não existe essa escritora”. Ela insistiu: “Será?”. “Que eu saiba…” (me cortando), “Tem tanta menina escrevendo e publicando e você não conhece nenhuma?”. “Olha, existem muitas meninas mandando bem na atualidade; mas é que você perguntou por uma foda”.

O condicionador de ar não estava funcionando bem, o clima estava abafado e as goteiras no balde ao lado da estante incomodavam o estudante na mesa da frente.

Ela parecia irritada com minhas respostas e com o clima da sala de leituras. Roeu as unhas, mexeu nos cabelos, e continuou: “E escritores?”. “O que é que tem os escritores?”. “Tem algum foda no momento entre os novos?”. “Também não conheço”. “Nossa, cara, você também não conhece nada!”. “Foda, no momento, não. Nenhum”. “Como você é cético e mal-humorado…”. Perdi a paciência: “Agora você vai parar de encher o meu saco e dar o fora, ou não?”. “Aff, que grosso…”. E saiu. Nunca tinha visto essa menina na biblioteca. Fui tomar um café quando vi, de longe, ela reclamando com a minha supervisora. Obviamente, sobre o meu atendimento.”

Do livro “Elisa se entusiasmou demais”. Lançamento: 2017.

Tarcísio Buenas.

A arte de Peter Saville

1467431_661461470552342_1179069276_n
Nascido em 1955, em Manchester, Inglaterra, Peter Saville sempre foi conhecido como um artista polêmico devido aos seus projetos ousados. Fundou a Factory Records ao lado do jornalista e apresentador de televisão Tony Wilson no final dos anos setenta, após se conhecerem num show da Patti Smith em 1978.
A Factory e a Peter Saville Associates foram responsáveis pelas belas capas que fizeram para bandas como Pulp, New Order, Joy Division e Suede, entre outros.
A capa do álbum Power, Corruption and lies foi eleita, através de um concurso público, em 1995, como um dos ícones britânicos patrocinado pelo Museu do Design de Londres e pela BBC.
Seu projeto gráfico para Closer do Joy Division causou polêmica na época do lançamento por apresentar uma imagem do corpo de Jesus Cristo. A revista NME conseguiu provar que Peter criara o designer da capa antes da morte de Ian Curtis, por ter colocado em suas paredes a arte-final antes do lançamento do álbum.
Tarcísio Buenas.